Olá! Finalmente temos uma novidade literária! o/
Preciso trabalhar, mas acho que uma folguinha não faz tão mal assim. Aliás, hoje é dia do trabalhador e o sol está lindo. #felicidade
Nesse primeiro dia de maio, nosso post comentará sobre o livro Martini O Pequeno Demônio e vocês ainda terão em mãos uma entrevista exclusiva com a Laura Udokay, a autora do livro. Bora conferir?
Sinopse da Obra
"Nos anos 90 a cena em São Paulo era governada por Collor. Os jovens ainda tentavam mudar alguma coisa, sempre estimulados por forças maiores, nunca a deles mesmos. E nessa trama toda, temos o herói da obra, que por certidão é Liam, pela vida é humano, mas pela música é pequeno demônio. Ele ingressa no heavy metal aos dezesseis, mas sua trajetória é bem mais que gastar saliva gritando refrões. Preso em uma forma que se faz notar, ele nem liga. Índole rasgada, pensamentos violentos e molestados pela falta de fé em quase tudo. O menino poderia tirar vantagem por ser romântico, mas seu lado torpe se sobressai. Talentoso, amante de som pesado, gosta de degustar a ira de uma drástica tempestade. Personalidade indócil, conjurada por uma infância atroz, de sua mãe só conheceu o desafeto, de seu pai ainda não conheceu toda virtude, mas a ordem etária e crescente de Liam vai ajudá-los a se tornarem mais amigos. O pequeno demônio é atormentado por suas próprias assombrações.
Guilherme é um fanático, e vem por se tornar quase um irmão para Liam. O rapaz é obcecado por seu sonho de fazer acontecer sua banda de heavy. Ele é o cabeça do grupo, autodidata em dominar instrumentos musicais, por dom se sobressai na música. Sabe ser convincente, líder e organizado, não sabe lidar com a realidade, não sabe pensar nela, não gosta dela. Não aceita passividade moral, gosta das mulheres, já teve muitas, mas não conheceu aquele amor sincero, não ainda, para ele é cedo, afinal, tem apenas vinte e dois anos.
O teste para Liam entrar no grupo é fazer algo inédito em sua vida: cantar para uma platéia e, mesmo inseguro de si, o jovem aspirante a cantor se atira de cabeça e cativa Guilherme e seus dois parceiros de estrada musical: Carlos e Hideo. Sendo o mais jovem em uma banda de rapazes na casa dos vinte e poucos, ele logo passa a encarar uma vida regada a bebidas, muita maconha, crises existenciais, música pesada e ensaios severos. Logo de cara se apaixona pela fútil Nicole, moça três anos mais velha de que ele. Nada de mais, apenas ocorre que ela é namorada de Guilherme. Nem de longe as intrigas amorosas se fazem o foco, ao contrário, o fanatismo pelos ideais são bem mais palpáveis e, as feridas ocasionadas por esses sonhos ainda mais visíveis.
Com a coloridíssima amizade de Raquel, Liam a vê como uma espécie de mãe, mesmo ela sendo uma garota de dezoitos anos. Impelido por sentimentos mal interpretados, eles mal sabem onde isso pode acabar, que bobagem, para muitos, Liam não passa de um garoto que anda de skate para cima e para baixo.
Acho que todos precisam de exorcistas, de vez em quando."
Parece ser uma história de tirar o fôlego, não é mesmo? E agora, o que passou na cabeça da escritora para realizar essa obra? Vocês conferem aqui:
Mandy: Qual a sua primeira inspiração na hora de escrever? De onde surgiu a ideia?
Laura: A ideia surgiu pela minha imensa preguiça de desenhar o Martini (risos), que a princípio cogitei fazer em HQ. Sou ilustradora, e tenho uma obra de quadrinhos (não publicada) sobre a vida de dois gatos e um rato, ainda quero tirá-los das gavetas (quem sabe...). Minha cabeça tem doença por inventar histórias, mas tendo de desenhar quadro por quadro ficaria um trabalho, deveras, moroso. Me peguei pensando em arriscar escrever, em forma de romance, o Martini, porque já tinha sua história encubando. Estava começando a faculdade de jornalismo e já no primeiro semestre havia escrito umas oitenta páginas da minha obra de ficção.
E sempre gostei do universo musical, em especial o underground. Na verdade, o herói do livro entrou na minha vida sem bater na porta, meio sem querer foi tomando corpo, quando decidi, muito sem pretensão, ou mesmo experiência, em escrever sua história. Não sabia que era escritora até começar com o Martini, seis anos atrás. Aos poucos, a trama foi ganhando personagens com suas próprias bagagens e, quando tomei partido, estava desenhado com as letras (risos).
Mandy: Já que o livro tem temática musical, algumas músicas se tornaram trilha sonora da hora da criação?
Laura: Bem, se for com relação as canções da banda fictícia do livro, sim. Ao menos uma, que aliás, não aparece no romance, mas foi feita para representar a personalidade do Liam Martini, personagem central da trama. Essa música leva o nome “Kicking Stones”, e foi interpretada por uma banda formada exclusivamente para o lançamento do livro, evento realizado dia 13 de abril, deste ano.
Mandy: Quais são suas inspirações literárias? E quais são as inspirações de vida?
Laura: Certamente tenho minhas referências, e foi através do personagem Alex, de Laranja Mecânica, cujo me apaixonei pela sua forma de contar sua trajetória, inspirou-me na narrativa do meu romance. Gosto de anti-heróis, eles me seduzem por possuírem personalidade imprevisível, moldei o Liam tendo isso em mente. Embora acredite seriamente que os personagens tenham vida e opinião próprias (risos). Gosto de livros em primeira pessoa, porque aprecio o personagem contando sua vida, fica mais íntimo, como ler uma carta de uma pessoa querida. Poderia citar diversas obras que me serviram de base, porque a leitura agrega repertório. Todavia, acho que o trabalho de outros autores apenas serve de farol, o resto é comigo mesma. Pego a teoria deles e faço a minha literatura. Na verdade, posso dizer que o Martini foi uma obra de autodescoberta, em diversos aspectos meus, porque acho que todos meus personagens tem um pouco de autobiográfico.
Minhas inspirações de vida são o próprio cotidiano, meu, e de todos ao meu redor, inclusive dos desconhecidos que cruzam comigo. Sou introspectiva, mas absorvo a paisagem ao meu redor e sei que, em alguma parte das minhas criações literárias, vão acabar servindo de material base para elaborar situações e personalidades.
Mandy: Você se acha parecida com o personagem principal? Se sim, em que aspectos?
Laura:Como citei antes, creio que tem, sim, algo de autobiográfico. Porém, isso é apenas para dar o primeiro passo. O herói da trama tem o meu lado artístico, certamente, e certas revoltas com mundo que me são próprias. Todavia, ele, assim como todos os outros personagens do livro, são uma espécie de receita particular, onde tomo algumas medidas minhas como base e acrescento pitadas do que cada um vai ser, de acordo com o que me apresentam no decorrer dos capítulos e seus diálogos. No fim das contas, o Liam é, ao mesmo tempo, muito de mim, e nada de mim também (risos).
Mandy:O que podemos esperar do seu livro?
Laura:Difícil explicar. O livro aborda um universo pulsante de desilusões e ambições artísticas. Creio que o leitor pode esperar de tudo quanto é emoção ao ler a vida do Liam. Porque ele é um bom garoto, mas também vai despertar antipatia de alguns, não sei. Até eu, amo e odeio o meu personagem (risos).
Mandy: Gostaria de deixar alguma mensagem aos seus leitores?
Laura: Claro! Não sou droga nenhuma sem eles!!! Sinto-me honrada quando conquisto mais leitores, são um valioso tesouro.
Mandy: Gostaríamos também que você fizesse uma pequena apresentação da obra.
Laura: Martini o Pequeno Demônio narra a vida de um rapaz de dezesseis anos que vai crescendo ao logo da obra. Com a idade, se descobrindo dentro do grande vazio interior. Cheio de talento e nenhum senso sobre isso, pelo menos, não o suficiente. O que é bom, afinal, isso o isenta da vaidade, o que para mim, é excelente! A trama se passa em São Paulo nos anos noventa. Fala das lutas de quatro jovens cheios de fé em sua música, e cheios de problemas também. O pano de fundo é o heavy metal, mas com pinceladas sobre a situação política da época Collor. Claro, através da ótica do jovem Liam, então, não esperem um histórico empírico, é meramente o ponto de vista do rapaz.
No geral, é um universo intenso. Tentei exprimir, também, a dificuldade de artistas em conquistar acessão com seu talento. O país não incentiva muito os que são da casa, abrem (me desculpem o pejorativo, mas vai expressar o nível da minha indignação) as pernas para os gringos e alimentam nossos artistas com migalhas ideológicas de um mundo que não nos pertence. Isso enfraquece o ânimo de pessoas repletas de talento, que precisam, muitas vezes, saírem do país para alcançar sucesso. Isso, certamente, se aplica, principalmente, as bandas de metal nacionais. Acho a cena muito forte, temos ótimos músicos, e os leitores vão sentir a revolta dos meus personagens com relação a esses temas. Se quiser mais apresentação, vai ser melhor ler o livro (risos).
Você também pode conhecer mais sobre a obra e a escritora em seu blog:
http://lauraudokay.blogspot.com.br/
Em nome de toda equipe do blog, agradecemos a entrevista e desejamos que a obra seja um grande sucesso!
Esperamos que vocês também tenham curtido nossa dica! :D
Mandy e Iza